A força que vem da diferença

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Por:  Selma França

O  Pilates  Científico difere um pouco do Pilates Clássico, pois oferece possibilidades de tratar doenças com a inclusão de alguns exercícios de estabilização sugeridos por  cientistas de renome, que estudaram funções musculares de grande importância para o tratamento de diversas disfunções, no campo da reeducação funcional e neuromotora. O Clássico também vem oferecendo, ao longo de décadas, grandes possibilidades para compreender como utilizar o repertório de uma forma inteligente e consistente.

Esses autores de renome são citados, com grande deferência, no campo da reabilitação, por quase todos que estudam a estabilização terapêutica e o tratamento da coluna. Isso dá suporte científico ao Power House do Pilates, o conhecido Centro de Força, amplamente difundido pelos Elders, os discípulos diretos de Joseph Pilates, que deram continuidade ao seu trabalho e aos seus propósitos.

Os Elders criaram suas linhas de trabalho com base na experiência pessoal com Joseph e Clara Pilates. As abordagens foram bem específicas, uma vez que cada um tinha sua profissão, suas estratégias motoras particulares e habilidades de movimento distintas.

Ao longo da história do método Pilates, observamos que no repertório de cada um destes mestres, existem não apenas exercícios diferentes, como também variações dos exercícios que possuem o mesmo nome, por conta das influências provocadas pela percepção que cada Elder tem ou teve, dos ensinamentos do Pilates. Isso é muito comum no meio profissional do movimento e principalmente na dança, onde cada indivíduo sente, interpreta e executa a partir do seu histórico.

Todas estas linhas são respeitadas no mundo inteiro e cada profissional segue a linha com a qual tem maior afinidade, pois todos os discípulos de Joseph têm uma rica abordagem, mesmo diante da variação de visões.

Algo semelhante ocorreu também no Ballet Clássico, originado na França no reinado de Luis 14. O plié, passo inicial do ballet clássico, será sempre o mesmo em todo o mundo, porém, com as influências de cada local. É possível notar diferenças entre o ballet francês, o russo e o inglês, sem alterar a base da técnica e sem deixar de ser Ballet Clássico.

Na dança moderna há também diversas linhas em desenvolvimento, que vivem em constante aperfeiçoamento ao longo do tempo, enquanto mantém a sua identidade original. Um bom exemplo disso é o trabalho de “release” desenvolvido na Europa por Willian Forsythe, bailarino e coreógrafo que influencia diversos seguidores, todos em busca da construção de um corpo adequado para a dança pelo um caminho mais natural.

Se Joseph não respeitasse as diferenças individuais, não haveria tanta discordância sobre um mesmo exercício, já que, há muitos anos seus discípulos diretos vêm difundindo exercícios de um mesmo repertório com detalhes diferentes.

Cada um tem sua forma rica de se comunicar com o corpo, proporcionando mudanças no aspecto físico mental e espiritual por meio de uma filosofia que prega a saúde integral do corpo e uma existência mais feliz. Neste caso é possível compreender, de uma forma mais madura, a força que surge da diferença entre o Clássico e o Contemporâneo (sendo este último, o chamado Pilates Clínico, que busca o embasamento científico), como abordagens que irão atender a mesma pessoa na variedade de situações que ela vive ao longo da vida.

A ressalva é a do ministério do método Pilates, feita com sensatez, e como resultado de muito estudo, e de uma formação consistente em uma boa escola de Pilates.

Temos acessível um repertório majestoso que precisa ser estudado, experimentado durante algum tempo, com base na essência deixada pelo mestre Joseph e sua esposa. Pilates bom é resultado de estudo e trabalho sérios, feitos em uma boa escola e os clientes, então, agradecem por estarem fazendo Pilates de verdade.

Texto: Selma França

 

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