As Potencialidades do Movimento Humano

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“Movimento é vida e vida é movimento.
Você obtém deles o que investe neles”

(Ron Fletcher)

As potencialidades do movimento humano são infinitas. Pense num lesionado medular que chegou em seu estúdio e, com os trabalhos vivenciados, pode voltar a se mover de forma organizada; reflita sobre uma mãe depressiva que perdeu um filho e, ao ter acesso aos movimentos da coluna torácica, volta a entrar em contato com memórias afetivas que a fortalecem. Imagine, ainda, um dançarino que pode, através das vivências e treino dos potenciais contidos nas minúcias dos gestos, ter acesso à força simbólica contida em cada curva corporal, usando este conhecimento para emocionar uma platéia.

Como dizia Ron Fletcher (1921-2011), um professor americano que tive e um dos elders do Pilates, que devotou quase a totalidade da sua vida ao estudo do movimento: Movimento é vida e vida é movimento. Você obtém deles o que investe neles”. Penso ser este um dos segredos ligados às potencialidades latentes do movimento humano: se existe investimento em força, flexibilidade, melhora de performance e ganho funcional, podemos esperar que isto será conquistado. Por outro lado, se o investimento também for em um movimento que busca expansão, amor e troca, estes serão os resultados obtidos.

Fletcher também dizia: “Much wants more”. Esta sentença é de difícil tradução em nossa língua. Seria algo como: muito quer mais. Fletcher usava essa frase quando queria obter de cada aluno um movimento que fosse potente em forma, significado e intenção, para além das linhas, valências físicas ou funções pertinentes. Isso era verdadeiramente o melhor que um gesto poderia oferecer, na visão de Ron, pois ele acreditava que o aprofundamento na experiência do mover nos fazia livres para procurar e dar aos gestos trabalhados o que poderia haver de mais profundo e interessante. Ele queria que o movimento nos tornasse livres, expansivos e amorosos. Queria ver em nosso corpo Mais que Pilates.

 

Adriano Bittar

É especialista em Terapia Craniossacral e Dança, mestre em Artes Cênicas pela UFBa, e doutor em Arte pela UnB. Conheceu o Pilates no Laban Centre, em Londres em 1996 e se apaixonou pelo método. Ele fez os cursos de educação de professores na Polestar Pilates/2000 e Fletcher Pilates®/2011, e se certificou pela Pilates Method Alliance/2013. Como um dos primeiros fisioterapeutas certificados pela Polestar na América do Sul, fez parte da geração inicial de professores dessa escola e ensinou futuros professores em todo o país (2000-2005). Criou o primeiro curso de Pós-graduação em Pilates do centro-oeste na PUCGO/CEAFI, que coordena até hoje. Estudou com Kyria Sabin e Ron Fletcher, por quem foi convidado a conhecer o Fletcher Pilates® e a representar esta escola no Brasil/2012. Já traduziu importantes nomes do Pilates em congressos internacionais, assim como boa parte do material utilizado em cursos pela Polestar Pilates e Fletcher Pilates®. É um dos maiores responsáveis pela introdução do Fletcher Pilates® no Brasil e um dos palestrantes da Conferência Fletcher Pilates® que acontece nos Estados Unidos a cada dois anos. Leciona na Universidade Estadual de Goiás, é fisioterapeuta da Quasar Cia de Dança, prepara poeticamente grupos de atores e bailarinos, dirige e atende clientes no Studio Adriano Bittar.

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