Joseph Pilates e os bailarinos

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O trabalho de Joseph Pilates sempre esteve muito próximo ao mundo da dança. Apesar de desenvolver uma metodologia que visava o bem-estar de pessoas de todas as idades e que priorizava aumentar a capacidade física do ser humano, foram os bailarinos que mais utilizaram o seu método para melhorar o rendimento na dança ou restabelecer-se de uma lesão.

Historicamente, logo após ter sido preso na Inglaterra e ter ficado confinado num campo, onde trabalhou dentro de um hospital e pode aprimorar a sua primeira sequência de exercícios conhecida como MAT, Joseph Pilates voltou para a Alemanha e trabalhou junto com RUDOLPH LABAN – que foi um dos precursores da Dança Moderna Alemã e cujo trabalho revolucionou o modo de pensar e expressar o movimento. Nessa mesma época tem se registros de que MARY WIGMAN, grande expoente da Dança Expressionista Alemã, executava a série de MAT como aquecimento e preparação para seu trabalho. Quando imigrou para os USA, Joseph Pilates instalou seu estúdio no mesmo prédio de duas grandes cias: MARTHA GRAHAM CIA e NEW YORK CITY BALLET e começou a ter na sua clientela vários bailarinos à procura de condicionamento físico, aumento das habilidades na dança ou a reabilitação de uma lesão. Além disso, Pilates se tornou amigo de TED SHAWN e RUTH SAINT DENNIS e em vários verões foi convidado a trabalhar junto à estes no JACOB’S PILLOW.

Para compreender melhor a relação de Joseph Pilates com o mundo da dança temos que ter um conhecimento do contexto cultural da época: a carreira de fisioterapia só começou a partir da I Grande Guerra, o mundo das artes estava em revolução com diversas escolas procurando a vanguarda e realizando quebras de paradigma, como o cubismo nas artes plásticas e o expressionismo alemão na dança, por exemplo. Então, para um pesquisador autodidata do movimento, nada mais natural do que se aproximar daqueles que estavam ultrapassando fronteiras, permitindo ser o próprio corpo um laboratório objetivo para demonstração de resultados do que se estava criando. A relação de Joseph Pilates com o mundo da dança foi intima, profunda e benéfica para ambos.

Sua influência junto aos bailarinos foi tanta que em 1950 a DANCE MAGAZINE, revista especializada no mundo da dança, publicou um artigo intitulado “EVERYBODY GOES TO JOE’S” onde comentava que a grande maioria dos bailarinos procuravam Joseph Pilates e sua metodologia para condicionamento ou recuperação de lesões.

Após sua morte, em 1967, foram os seus seguidores que continuaram a ensinar o seu método e praticamente todos eles eram bailarinos: ROMANA KRYSANOWSKA, CAROLA TRIER, KATHY GRANT, RON FLETCHER, LOLITA SANMIGUEL, entre outros. Foram os bailarinos que se beneficiaram do método Pilates, tanto na reabilitação (caso de Romana) quanto na preparação e desenvolvimento na arte da Dança. Graças aos bailarinos, o método Pilates sobreviveu e se expandiu até ser conhecido no mundo todo.

No Brasil uma das pioneiras e introdutoras do método, Alice Becker, é bailarina formada pela UFBA, portanto o Brasil também se beneficiou dessa relação que Joseph Pilates sempre manteve com o mundo da dança.

Atualmente várias escolas de dança e cias nos USA utilizam o método Pilates como instrumento de prevenção de lesões e aprimoramento para seus bailarinos e o famoso Cirque Du Soleil mantém em suas turnês um professor de Pilates junto à sua equipe.

Joseph Pilates e o mundo da dança foram, e continuam sendo, uma parceria que deu certo, tanto no aumento da capacidade dos bailarinos quanto na possibilidade de ensino dos bailarinos da sua metodologia. Isso é importante frisar porque, durante o desenvolvimento do seu método nem a carreira de Fisioterapia, nem a de Educador Físico estavam regulamentadas e, ainda hoje, nos USA, essas carreiras não são fundamentais para o ensino do método Pilates. No Brasil, entretanto, temos um conflito com a atuação do bailarino no ensino do método Pilates e isso contradiz o próprio desenvolvimento do método. É importante ressaltar que o método Pilates NÃO É fisioterapia, é um recurso fisioterapêutico, por isso quando o fisioterapeuta faz uso do método ele está trabalhando com Pilates Clínico. O método Pilates tem um espectro muito grande de trabalho e pode ser usado como condicionamento físico, recurso terapêutico, desenvolvimento motor, reprogramação postural, entre outros e o profissional que atua tem que estar muito familiarizado com a vertente que pode atuar, por exemplo: numa pós reabilitação de cirurgia de menisco, o profissional de Pilates que deverá atender deverá ser um especialista de Pilates em traumato-ortopedia. Um aluno triatleta: o profissional de Pilates que deverá atender é um especialista em treinamento, uma gestante – o profissional deverá ser especialista em Saúde da Mulher. A grande riqueza do método Pilates é sua enorme possibilidade de atuação e isso está se tornando seu ponto fraco, a partir do momento em que estamos tendo formações rápidas denominadas “completas” do método Pilates autorizando os profissionais a atuarem em TODAS as especialidades, nós lançamos no mercado pessoas com o conhecimento mínimo da área de atuação, acreditando que sabem tudo e que podem atuar com QUALQUER aluno/cliente que aparecer na sua sala de aula. Estamos num momento que exige reflexão, critério, conhecimento e expertise para que o método Pilates continue se desenvolvendo como seu criador idealizou: levando as pessoas novamente a se conectar com seus corpos e ultrapassar seus limites, adquirindo capacidades novas e restaurando as perdidas. Como dizia Joseph Pilates: “Aptidão física é o primeiro requisito para a Felicidade” e para isso precisamos estar conscientes e capacitados para o trabalho que estamos realizando.

Texto de Valéria Mauriz – coordenadora Espaço Pilates, bailarina e fisioterapeuta.

Valeria Mauriz

Valéria Mauriz é bailarina e fisioterapeuta. Tem a certificação em Pilates pela POLESTAR EDUCATION. Estudou nas mais conhecidas linhas de Pilates como: CORE CONNECTION, ROMANA KRYZANOWSKA PILATES, CLASSIC PILATES, MICHAEL MILLER PILATES, entre outras. Tem desenvolvido sua pesquisa em Pilates na Saúde da Mulher, sendo que já escreveu sobre Assoalho Pélvico no Climatério e lançou em 2013 o livro “Pilates na Gestação – Redescobrindo seu Corpo no pré e no pós parto. É Doula formada pelo curso “Ecologia do Parto ” de Heloisa Lessa e do renomado obstetra francês Michel Odent, que introduziu o parto na água nos hospitais franceses na década de 60 e que escreveu vários livros sobre a influência do parto na vida humana.
Atende gestantes e acompanha partos junto com a obstetra Maria Fernanda Couto do Rio de Janeiro.
Formada em Ginástica Hipopressiva, atua junto a mulheres na Recuperação do Pós Parto
Ministra o curso de Pilates na Gestação e no Pós Parto em várias cidades do Brasil como RJ, SP. Goiânia entre outras.
Pré treinadora em GYROTONIC®
É também Master trainer do método GYROKINESIS® podendo ministrar curso desta metodologia em qualquer lugar do mundo.

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