Medicina na Dança

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A prática da dança profissional por ser repetitiva e desafiante, pode trazer (e com frequência traz) repercussões negativas para a estrutura músculo-esquelética. Em consequência deste treinamento diário da dança profissional ocorrem modificaçōes nas curvaturas da coluna, espasmo, inibição muscular, fadiga, dor e sobrecarga nas articulações. Levantamentos, saltos, quedas, quase sempre tão distantes da biomecânica natural, provocam alterações ao longo do tempo, além de algumas vezes os movimentos serem realizados com estratégia motora inadequada para o biótipo do bailarino, e claro, para o tipo de dança que aquele corpo pode suportar naquele momento. Com a profissionalização do bailarino ao longo dos anos, percebeu-se a necessidade de criar uma medicina especializada, a medicina da dança, com profissionais de saúde habilitados para abordar os problemas específicos enfrentados pela classe.

Nas grandes companhias de dança dos EUA e Europa, já existem espaços específicos para tratamento dos bailarinos, do chamado corpo de baile, como no caso do Miami City Ballet, Sacramento Ballet dentre outros ao redor do mundo. Fisioterapeutas manuais, professores de Pilates, GYROTONIC®, médicos, nutricionistas e psicólogos estão dentro dessas equipes de olho no futuro, buscando uma melhor qualidade de vida, performance desses profissionais, além da prevenção. Aliás, atuar na prevenção é a melhor escolha para os que escolheram dançar profissionalmente e que buscam longevidade na sua carreira. Entender seu corpo individualmente através de uma avaliação e o tipo de dança que seu corpo está experimentando é talvez um dos pontos mais importantes para o bailarino conseguir manter-se mais tempo em cena, sem os frustrantes afastamentos que muitas vezes necessitam experimentar por causa das lesões. Pesquisas diversas tem mostrado que a medicina da dança, com essas equipes multidisciplinares, vem diminuindo drasticamente os números desses afastamentos.

É necessário que incentivemos a atuação dessas equipes também no Brasil. Sabe-se que o acompanhamento para mover-se é fundamental, não seria diferente numa prática como a dança.

4 COMENTÁRIOS

  1. Quer ter saúde? faça esporte! Poderia ser: Quer ter saúde?coma saudavelmente, beba água durma bem, minimize o estresse e faça exercícios adequados ao seu corpo e seu biotipo. Exercícios prescritos e bem administrados. É mais ou menos assim o pensamento da prevenção.

  2. Nenhum esporte profissional tem o objetivo de promover saúde, muito pelo contrário, é a custa de muito esforço, dor e compensações que atletas superam as suas valências. A dança profissional trabalha com o Belo “que é uma parte da filosofia que estuda as sensações, sendo assim arte e não esporte, mas é expressa através do corpo. Não há dúvidas, de que como profissão reconhecida muito recentemente tenha gerado às suas companhias e bailarinos perdas imensuráveis. A medicina da dança vem criteriosamente estudar, cada tipo de dança e sua afinidade com o biotipo de cada bailarino, com uma equipe que cuida de tudo o que o interprete, precisa para se manter prolongadamente no palco e no futuro, manter uma melhor qualidade de vida para esses grandes artistas do movimento refinado.

  3. Mover-se é mais saudável que não mover-se. Mover-se muito ou de forma radical, como na dança profissional e no esporte profissional, também é lesivo. Excesso de movimento, em amplitudes abusivas, em treinos intensos….tem “preço” a ser pago. Podemos reduzir este impacto e este “preço” quando fazemos um trabalho preventivo, como muito bem colocado por Selma nesse artigo. É preciso preparar o corpo para este abuso, este excesso, o melhor que pudermos. Com o Pilates, o CoreAlign, o Gyrotonic, a Yoga, etc….claro que bem feitos…, preparamos o corpo com os fundamentos de organização corporal que previnem lesões. Trabalhar os princípios de organização corporal, a consciência dos limites e potencialidades do próprio corpo, são um grande aliado para diminuir os riscos naturais destas profissões.

  4. Muito interessante. De fato, o objetivo da dança, a dança cênica, a dança como pensamento, não é a saúde. En dehors a 180 graus faz sentido num palco italiano, mas fisiologicamente, nenhum. Só pra começar. O mesma questão podemos aplicar ao esporte. Mas curiosamente esporte é associado à saúde. Quer ter saúde? Faça algum esporte.

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