O método Pilates na contemporaneidade

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Por Elaine De Markondes.

A criação de um método que se tornou popular e referência na abordagem do corpo e do movimento como o Pilates, em diversos países do mundo, estimula certas reflexões, para compreendermos sua permanência e vislumbrarmos sua longevidade. Num mercado mundial de ofertas de atividades motoras que mostra oscilações frequentes no consumo, qual seria a razão do sucesso desta prática, na preferência e na forma de movimentar-se, ao longo dos últimos anos?

Uma forma interessante seria imaginar como Joseph Pilates estaria pensando e desenvolvendo seu método, caso estivesse convivendo conosco nos dias de hoje. Ser contemporâneo implica em ser capaz de transformar-se para solucionar problemas atuais, de criar especificidades que geram complexidades progressivas, a fim de promover aplicações funcionais imediatas. Ainda, de gerar desdobramentos eficientes, que assegurem seu recorte e ao mesmo tempo, orientem seu diálogo com as áreas afins, tornando cada vez mais preciso seu posicionamento e suas funções como método de movimento.

Mais do que um repertório de movimentos eclético e versátil, mais do que incluir as resistências elásticas no controle da sobrecarga sobre o corpo, mais do que desenhar os próprios equipamentos para acolher suas ideias, o diferencial fundamental do método Pilates é a essência dos conceitos da Contrologia, que reinventa o Mens Sana in Corpore Sano – controle entre o corpo e a mente, sem supremacia de um sobre o outro. O método foi desenvolvido nos Estados Unidos num momento em que a criação de diversas técnicas corporais introduziam abordagens mais sensíveis, menos “motoras”, valorizando imensamente a apropriação perceptiva do corpo pelo sujeito. Este convívio faz parte, entre outras, das oportunidades que cercaram e contaminaram Joseph Pilates, durante a sistematização do seu método, na primeira metade do século XX, naquele país. Os métodos de reeducação sensório-motora, criados desde aquela época, reinventam e resgatam a conexão corpo-mente, convocando o sujeito à autoria das transformações que pretende provocar em si mesmo. No caso específico do Pilates, atualizam em sua complexidade metodológica um conceito que re-insere funcionalidade em diversos níveis, seja no manuseio de sintomas, seja no desenvolvimento da performance corporal, seja no desenvolvimento de autonomia e longevidade nos corpos que usufruem de seus benefícios. Essa versatilidade que surge, a partir de entendimentos do próprio indivíduo ao perceber-se capaz em movimento, o torna excessivamente contemporâneo.

Resgatar estas ideias no século XXI diferencia o método de outros trabalhos do corpo porque propõe, no seu manuseio, a simultaneidade de intervenções que o tornam mais perceptivo, portanto com maior autonomia; mais funcional, portanto com maior longevidade; e mais inteligente, portanto com maior agilidade na resolução de tarefas motoras em geral.

Além de todas estas considerações, a mente e as atitudes visionárias de seu criador, apresentando ao mundo as suas inovações, manifestam a condição de ser contemporâneo como um princípio ativo e essencial do método Pilates.

Resta-nos manter ativa esta proposição embutida na essência conceitual de Joseph Pilates, atualizando conceitos, revisitando princípios e reavaliando constantemente o trânsito entre teoria e prática. Mais do que reunir o método ao que não lhe agrega valor, devemos contextualizá-lo no extenso e prolixo mercado das práticas motoras, como uma prática que cria singularidade própria nas intervenções que oferece ao corpo.

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