Pilates: Clássico? Contemporâneo? A beleza da diversidade

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Inicio este capítulo com a frase: Nós somos todos diferentes e nós somos todos lindos! A beleza está na diversidade. A natureza é bela, pois é diversa em sons e cores. Cada um tem sua própria história, seu caminho, e quando tentamos estar no caminho do outro, aí se perde toda a beleza que existe na diferença.

Gosto de citar Riesman que melhor define a diversidade:

“A idéia de que os homens nascem livres e iguais é, ao mesmo tempo, verdadeira e enganadora: os homens nascem diferentes. Esses perdem a sua liberdade social e sua autonomia individual quando procuram tornar-se parecidos entre si” (RIESMAN, 1975 in PANELLI E DE MARCO, 2016).

Nada é absoluto, ou possa ser tido como uma verdade absoluta. Passamos a acreditar naquilo que nos identificamos e temos prazer em vivenciar. Eu aprendi Pilates com Romana Kryzanowska e dela trago princípios e ensinamentos segundo seu espírito e sua visão.

As informações que eu trago de outros professores da primeira geração que estudaram com Joseph Pilates, como Kathy Grant, é que ela transformou os exercícios em outra direção, um conceito parecido com o que Eve Gentry fez com o pré-pilates, fornecendo modificações e adaptações criadas por elas para se alcançar o objetivo almejado.

Eu acredito que todos os professores da primeira geração de Pilates tem suas diferenças e similaridades de acordo com suas próprias experiências e interpretações. Eles ensinam os exercícios que aprenderam diretamente com Joseph Pilates de acordo com a forma que interpretaram esses exercícios. Essas maneiras podem ser mais ou menos diferentes.

Para mim o mais importante no Método Pilates é o estimulo corpo, mente e espírito. O espírito é o que diferencia os professores, é essa energia que se possui e que os mestres da primeira geração possuem e passam para nós e que eu espero conseguir passar para os meus alunos. O espírito que faz o corpo e a mente sobreviver, é o que nos diferencia no mundo, é o que faz a diferença que existe no método Pilates e o que o diferencia das outras técnicas.

Acredito que cada um deles teceu sua história, mas que acreditam no espírito de Joseph Pilates e em suas ideias primordiais, carregando experiências completamente diferentes que adquiriram com o próprio Joseph. Assim como eu carrego uma experiência única com Romana Kryzanowska e transmito o Método Pilates segundo a visão que tenho do que aprendi com ela. Eu estudo e sigo muito os princípios da Antroposofia, e acredito que meu estúdio e minha forma de ensinar traga também os princípios dessa filosofia, junto com meu trabalho de Pilates.

Sabemos que a própria Romana Kryzanowska adicionou e modificou alguns exercícios mantendo seus valores originais com influências da Dança. Desta forma as habilidades foram atingidas com mais êxito, entretanto ela não alterou o trabalho, apenas sistematizou e trouxe uma didática de ensino mais eficiente. Por mais que tenha feito o máximo para seguir e honrar os exercícios originais, sempre nos ensinou segundo a sua visão e seu próprio espírito.

Portanto quanto mais eu ensino, mas eu entendo a importância das diferentes perspectivas. Quanto mais eu ensino muito mais eu aprendo comigo mesmo e com os outros.

Eu acredito que o método Pilates não é apenas um movimento, é uma forma de ajudar as pessoas, de mudar a vida das pessoas.

A minha jornada de paixão pela preservação do Método Pilates, da sua forma mais tradicional, como me foi apresentado por Romana, deu-se há vinte anos. E após a conclusão do curso de certificação, ela sentou-se comigo no Cadillac e me disse que a minha missão seria manter o método vivo para as futuras gerações. Missão esta que carrego com muita paixão, pois acredito no valor universalmente reconhecido do Método Pilates.

Temos uma sequência histórica caracterizada pelo movimento fluído, dinâmico, ritmado e clareza técnica. Uma beleza na simplicidade dos movimentos criados por Joseph Pilates.

Enxergo o movimento do corpo todo e não de partes isoladas, cheio de ritmo e uma beleza que transborda força. Sendo da área artística, o meu lado sensorial é muito estimulado e me instiga e impele a definir o Método como arte, arte da contrologia, arte de esculpir e lapidar o corpo, uma filosofia de vida, um estado, uma emoção, enfim… um conceito.

Me inspiro nas histórias sobre Joseph Pilates e acredito que os mestres todos da primeira geração acreditaram em sua genialidade e generosidade, e continuaram a perpetuar seu espírito dentro dos seus ensinamentos.

Como já disse anteriormente, o espírito que faz o corpo e a mente sobreviver é o que nos diferencia no mundo, é o que faz a diferença que existe no método Pilates e o que o diferencia das outras técnicas.

O importante para mim é saber quem foi Joseph Pilates, qual sua missão para que o espírito do método não se perca.

A verdadeira beleza se encontra na diversidade!

 

3 COMENTÁRIOS

  1. Lindo texto, Cecilia Panelli! Concordo com você integralmente quando afirma que:
    “quanto mais eu ensino, mas eu entendo a importância das diferentes perspectivas. Quanto mais eu ensino muito mais eu aprendo comigo mesmo e com os outros”. Pois cada um é um ser especial, com sua história de vida e linguagem motora. Resta a nós instrutores mantermos a trilogia e o respeito ao Método Pilates!

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