Pilates no Brasil – Ruth Rachou

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“É estar presente e não distraído. É a mente que esculpe o corpo!”
Joe Pilates

Não seria incoerência alguma, se não conhecêssemos, afirmar que Joe Pilates se referia a dança, quando proferiu essa frase. Movimento, fluidez, liberdade, precisão, respiração e atenção com o corpo: todos elementos indissociáveis para a Dança e para a Contrologia.

A demora no processo de construção, o olhar milimétrico, o ajuste dos detalhes. Aquele que produz algo com as próprias mãos, transformando, com habilidade, destreza e arte uma pedra em diamante. Talvez pudéssemos definir assim o ofício do professor de Dança, ou de um instrutor de Pilates, pois ambos têm o movimento como a primeira linha e o toque como ferramenta de trabalho.

Compreender os caminhos da nossa 2º Elder (isso cronologicamente falando, não estou atribuindo nenhuma escala de merecimento ou algo parecido) é compreender o seu legitimo sentimento pelo movimento, pela expressão corporal e pela dança.

É fato que um longa-metragem sobre a Dança no Brasil sem a presença de Ruth Rachou seria um filme sem vida tal a sua relevância; do mesmo modo que uma bibliografia do Pilates no Brasil sem mencioná-la também seria uma obra inacabada. Bailarina, coreografa, atriz, diretora e professora, em 1993 incorpora a Contrologia ao seu trabalho, à sua arte, à sua paixão. Em uma entrevista concedida a TV cultura Ruth diz que: “dançar é voar, dançar é falar com o corpo, é ter uma imagem poética, uma imagem interior dançando!” o que mais uma vez poderíamos confundir Dança e Contrologia.

Nos finais da década de 80 e inicio da década de 90 Ruth Rachou tem as suas primeiras experiências com o método Pilates através de uma aluna que fazia parte da Companhia de Dança de Martha Graham, e em uma visita ao Brasil comenta sobre a Contrologia. Tal conversa desperta o interesse da bailarina que logo desembarcaria em Nova Iorque para buscar mais uma ferramenta para o desenvolvimento do seu trabalho com a dança. Aprendeu a metodologia do Sr. Pilates com Robert Fritzgerald, um Elder, e aprofundou-se através de muito estudo, prática e dedicação.

Ruth Rachou não voltou o seu trabalho com o método Pilates para a certificação de profissionais, mas para a sua paixão, a Dança. Antes mesmos de conhecer a metodologia Ruth já tinha seu estúdio de Dança em São Paulo e após sua formação incorpora a Contrologia e seus equipamentos como parte do treinamento dos bailarinos de sua escola.

Para nós o legado construído por Ruth Rachou está compreendido no profundo compromisso com o corpo, pois dedicou-se por toda a vida a transmissão dos sentimentos através da expressão corporal e encontrou na Contrologia a ferramenta necessária, tal qual a espátula de um artesão, para lapidar, ajustar e reorganizar as conexões de seus alunos durante toda a sua carreira. Em um momento em que assistimos os mais variados absurdos com essa metodologia através das mídias sociais, nos recolhermos a sutiliza da construção de um movimento apenas observando e sentindo as vivas conexões dos corpos de nossos alunos/pacientes/clientes nos aproximaríamos do profundo modo de compreensão da Contrologia apresentado por Ruth Rachou ao longo de sua trajetória.

 

Escrito por Rafael Marinho historiador, fisioterapeuta e educador de Pilates pela TAO terapias integradas, São Luís/MA.

Contatos: @taoterapiasintegradas

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www.taoterapiasintegradas.com

(98) 98114.3518

 

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