Por Marcela Andrade

Mover é algo natural, nasce com a gente e nos acompanha durante toda nossa jornada.

Mas é bem provável que você já tenha se deparado com alguém dizendo que está com dor e não deveria se mover, ou que acredita que mover aumentaria sua dor.

O IASP (Associação Internacional para Estudos da Dor) define dor como uma experiência sensorial, subjetiva e emocional desagradável, relacionada à lesão real ou potencial dos tecidos, das quais possuem diversas classificações e manifestações.

Você já ouviu falar sobre o “Efeito Nocebo” e Hipervigilância?

O efeito Nocebo é oposto ao Placebo (do latim, placeo, placere, siginifica agradar), enquanto nocebo (do latim, nocere, infligir dano), em que a antecipação e a expectativa por um resultado negativo podem agravar a dor, sintoma ou doença.

Alguns estudos sobre esse efeito, com estímulos verbais negativos de aumento de dor, têm mostrado aumento à percepção da intensidade da dor. E que estímulos opostos (de reforço positivo) teriam efeitos também opostos, melhorando a percepção e a resposta à dor.

A Hipervigilância é causada pela ansiedade gerada na expectativa de sentir dor, levando atenção redobrada exagerada à espera pela dor. Como se o foco estivesse sempre na dor e no local da dor, impedindo de realizar atividades diárias, de trabalho, exercícios e de lazer.

O efeito Nocebo tem influência direta na hipervigilância e em muitos sintomas comportamentais que impedem o aluno de se mover com prazer.

Mas o que fazer quando nos deparamos com tais manifestações comportamentais?

O IASP recomenda atividade física de modo “a diminuir a ansiedade relacionada com o movimento e bloqueios motores funcionais”, assim como quebrar a ligação aprendida entre dor e atividade, treinar formas de lidar com o stress e proporcionar diversão e prazer, conduzindo a novas experiências emocionais.

Esta ainda reitera que quem sofre com a dor, é parte integrante do processo e que deve assumir a responsabilidade por si próprio.

Recentemente, na segunda semana de fevereiro, o Colégio Americano de Médicos (ACP em inglês), divulgou novas recomendações para pacientes com dor lombar. Terapias físicas das quais estão amplamente incentivados exercícios físicos, exercícios de controle motor, ioga, tai chi, acupuntura, terapias manuais, dentre outras não farmacêuticas, sob orientação de profissionais com treinamento apropriado.

De encontro com as recomendações da ciência atual, Joseph H. Pilates, nos seus livros escritos em 1934 e 1945 (Your Heth e Return to Life through Contrology) já observava o comportamento das pessoas e nos guiava a um plano que resgataria o desenvolvimento completo de corpo, mente e espírito.

Joseph falava dessa responsabilidade pelo próprio corpo em um dos Grandes Princípios Guias, o “Engajamento Total do corpo”.

 (…) ”nem a mente e nem o corpo são supremos, ou seja, que um não pode ser subordinado ao outro. Ambos precisam ser coordenados para se atingir o máximo resultado com gasto mínimo de energia mental e física, e também para que possamos viver o maior tempo possível com uma saúde normal e desfrutando dos benefícios de uma vida proveitosa e feliz.”

Podemos observar diariamente em nossas aulas as pessoas se beneficiando do movimento e com diferentes objetivos.

As aulas de pilates são tão democráticas que atendemos crianças, jovens, adultos, gestantes, idosos, atletas, pessoas que estão se recuperando e já estão liberadas para mover, pessoas com deficiência física e todos que estiverem dispostos a se mover.

Nossa missão, como profissionais do movimento e da saúde, é proporcionar para todas essas pessoas, inclusive e especialmente as que sofrem com dores crônicas, experiências positivas de movimento.

Para que isso aconteça é preciso avaliar, planejar e progredir gradualmente nas aulas, de maneira que mover seja prazeroso e progressivamente desafiador. E vale lembrar também que “paciência e persistência são qualidades vitais no alcance bem-sucedido de qualquer esforço que valha a pena.” (Joseph H. Pilates).

 Poder propiciar para as pessoas bem estar e um “querer bem” em se mover nas aulas de Pilates, além de todos os muitos benefícios da técnica é um privilégio e de grande responsabilidade.

“Um bom condicionamento físico é o primeiro requisito para felicidade. Nossa interpretação da boa forma física é a obtenção e a manutenção de um corpo desenvolvido uniformemente com uma mente sadia, totalmente capaz de realizar natural, fácil e satisfatoriamente nossas numerosas tarefas diárias, com espontaneidade e prazer.” (Joseph H. Pilates)

Mover nos faz bem!!

 

 

Marcela Andrade

Sócia Proprietária do Studio Pilates Alongue-se desde 2012;
Faz parte do Programa de Mentores Physio Pilates Polestar desde 2015;
Curso de Reformer Condensado Physio Pilates Polestar Salvador-BA em 2017;
Gateway Mat e Equipamentos / Formação Avançada Physio Pilates Polestar 2014/2015;
Pós Graduação pela Gama Filho-SP – “Método Pilates: Prescrição de Exercícios Físico e Saúde 2010/2012;
Formação em Educação Física pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (CEUNSP) Itu- SP 2006/2009;
Palestrante convidada a ministrar “O Pilates como Instrumento de Promoção de Saúde e Consciência Corporal” para os cursos de Educação Física e Fisioterapia no CEUNSP Itu-SP em 2018;
Palestrante convidada a ministrar “Método Pilates e a Atuação do Profissional de Educação Física na Área da Saúde” e “Desmistificando a Coluna e suas Patologias mais Frequêntes” nos cursos de Educação Física pelo Ceunsp Itu-SP e Puc Campinas-SP em 2014 e 2015;
Experiência com Ginástica, Hidroginástica, Natação e Danças de Salão de 2008 a 2014 na Alongue-se Academia Itu-SP.

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