Trabalhando os pés no ambiente Pilates

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Por Thais Baião

Mensageiro na mitologia grega, Hermes era o mais ocupado de todos os deuses e o que possuía mais encargos. Veloz, corajoso e responsável, tinha extrema habilidade e variados poderes. Ninguém era mais ágil, mais ativo, mais voluntarioso e, ao mesmo tempo, mais disciplinado do que ele. Daí a razão pela qual era o principal intérprete das vontades de Zeus, sendo considerado benfeitor e protetor da humanidade.

Seu capacete alado o tornava invisível, lhe permitindo avaliar atitudes e exercer controles sobre a ação de todos. Sua figura era motivo de muita veneração. Mas em especial, Hermes tinha como principal aliado os seus pés. Possuía um par de sandálias com asas, o que lhe imprimia velocidade e rapidez nas suas missões urgentes e inadiáveis, levando mensagens para os deuses em sua irrequieta mobilidade.

Os pés, contudo, não têm apenas a mítica função do olhar da mitologia. Justamente por não sermos deuses do Olimpo devemos dar extrema atenção a eles. Há estudos que indicam que o formato dos pés e dos dedos representam um pouco da personalidade de cada um, por aí se observa a importância do tema. Em primeiro lugar, vale ressaltar que a distribuição desorganizada do peso sobre essa estrutura pode desencadear alterações musculoesqueléticas do próprio pé até a região cervical.

Podemos sustentar, inclusive, que o pé é uma das causas das dores na coluna e de problemas nos joelhos. Segundo o trabalho de reflexologia, através dos pés é possível atuar em todas as regiões e órgãos do corpo humano, ajudando no reequilíbrio, na redução de tensões, no relaxamento e até na melhora da circulação sanguínea. No trabalho de Footwork no Reformer, Joseph Pilates pensava não só no alinhamento, mas também na importância de se estimular esses diferentes pontos.

Há nos pés inúmeros receptores sensoriais. Estes enviam informações ao sistema nervoso central, atuando diretamente na coordenação da postura dinâmica e estática e também no equilíbrio quando estamos de pé. E para se ter um bom equilíbrio é necessário que o peso seja bem distribuído sobre os pés, de forma que 60% da maior parte do peso fique na região dos metatarsos.

Em condições estáticas, o pé tem três apoios: a cabeça do primeiro metatarso, a cabeça do quinto metatarso e a tuberosidade posterior do calcâneo. Só para exemplificar, quando o corpo em pé se apoia excessivamente no antepé, a coluna projeta um aumento da lordose lombar e o quadril tende a fletir, ampliando a ação dos flexores de quadril. Já se o apoio é maior na área do calcâneo, os joelhos flexionam para recuperar o equilíbrio e a coluna tende a curvar-se para frente, acentuando a cifose.
Os arcos dos pés também são importantes para uma boa postura. As alterações do tônus muscular e ligamentares podem elevar ou abaixar os arcos longitudinais, constituindo, dessa forma, um pé cavo ou plano. Essas variações modificam a descarga e a transmissão do peso corporal, diminuem a mobilidade do pé, comprometem suas funções de absorção de impactos e alteram a postura.

O uso de sapatos inadequados, por exemplo, é um dilema. Eles comprometem a distribuição harmônica do peso e o tônus adequado da musculatura dos pés e pernas. Passar horas com sapatos altos, em especial de bico fino, é uma forma de contribuir para desenvolvimento dos joanetes (halux valgo). O peso corporal mais projetado para frente irá sobrecarregar os metatarsos e os dedos, e o “dedão” desvia lateralmente.

Por fim, vale ressaltar a importância de se fazer um trabalho preventivo para se evitar quedas. Sabe-se que uma das causas mais comum de tombos nos idosos ocorre pela perda da mobilidade dos pés e tornozelos. Não deixem de cuidar dos seus pés, são eles que te levarão em suas caminhadas.

Na próxima matéria iremos abordar a parte prática do trabalho de prevenção que pode ser executado para evitar quedas, principalmente em fase idosa. Fique ligado!

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